IBS e CBS na oficina mecânica: o que muda com a reforma tributária a partir de 2027
Você já deve ter visto as siglas IBS e CBS nas notas fiscais de fornecedores. Elas são o começo da reforma tributária, e a partir de 1º de janeiro de 2027 deixam de ser teste e passam a pesar no caixa.
Para a oficina, que vende peça e presta serviço ao mesmo tempo, entender essa mudança agora evita susto no começo do ano.

O que são o IBS e a CBS
Os dois formam o chamado IVA dual, que substitui cinco tributos atuais:
CBS (federal): substitui PIS e Cofins.
IBS (estados e municípios): substitui ICMS e ISS.
IPI: tem alíquota zerada para quase todos os produtos a partir de 2027.
Na regra geral, a empresa paga o imposto sobre o que vende e desconta o que já foi pago nas compras. A ideia é acabar com o efeito cascata.
O cronograma, sem complicação
Período | O que acontece |
2026 | Ano de teste: CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, compensados com PIS e Cofins |
2027 e 2028 | CBS cobrada de verdade; PIS e Cofins extintos; IBS simbólico de 0,1% |
2029 a 2032 | IBS sobe aos poucos (10%, 20%, 30%, 40%) e ICMS e ISS caem na mesma proporção |
2033 | ICMS e ISS extintos; novo sistema completo |
A alíquota da CBS de 2027 ainda não foi fixada. O TCU tem até 30 de outubro de 2026 para validar o cálculo e o Senado deve definir o número até 15 de dezembro. As estimativas divulgadas até agora giram em torno de 9%.
O que muda na prática para a oficina
Peça e serviço vão para o mesmo imposto. Hoje a peça paga ICMS e a mão de obra paga ISS, com regras diferentes. Com a reforma, os dois passam a ser tributados por IBS e CBS. Até 2033, porém, a oficina vai conviver com os dois sistemas ao mesmo tempo.
A nota fiscal ganha novos campos. Empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real já precisam preencher IBS e CBS nas notas desde 3 de agosto de 2026. Para o Simples Nacional, a obrigação começa em 1º de janeiro de 2027.
Cadastro errado vira problema fiscal. Com mais informação em cada nota, peças e serviços precisam estar bem cadastrados e separados na ordem de serviço. Improviso no cadastro passa a custar mais caro.
Preço e orçamento precisam ser revistos. Quando a CBS entrar no lugar de PIS e Cofins, a carga sobre peças e serviços pode mudar. Vale revisar a tabela de mão de obra e a margem das peças junto com o contador antes de janeiro.
E se a oficina for do Simples Nacional?
A oficina do Simples pode escolher entre dois caminhos a partir de 2027:
Simples puro: IBS e CBS continuam dentro do DAS. É o padrão para quem não fizer nada.
Simples híbrido: IBS e CBS são recolhidos por fora do DAS, permitindo passar crédito maior ao cliente empresa.
Para a oficina que atende principalmente o consumidor final, o modelo híbrido tende a trazer só mais obrigações. Já quem atende muitas frotas e empresas pode ter vantagem, porque esses clientes aproveitam o crédito.
A opção para o primeiro semestre de 2027 foi feita em setembro e pode ser cancelada até 30 de novembro de 2026. Se a sua oficina ainda não conversou sobre isso com o contador, este é o momento.
O que fazer até dezembro
Confirmar com o contador o regime da oficina e, se for Simples, simular o modelo puro e o híbrido.
Revisar o cadastro de peças e serviços no sistema de gestão.
Garantir que peças e mão de obra estejam separadas em cada ordem de serviço.
Verificar se o sistema emissor de notas já está preparado para os campos de IBS e CBS.
Revisar tabela de preços e contratos com frotas para 2027.
Conclusão
A reforma não acontece num dia só, mas janeiro de 2027 é a data que exige preparação imediata. A oficina que chega organizada, com cadastro limpo e OS bem estruturada, atravessa a transição com muito menos dor de cabeça.
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Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do seu contador. Informações atualizadas em 20/10/2026.



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